sábado, 5 de abril de 2014

A verdade "histórica" sobre o 25 de Abril continua a ser de esquerda e parece não haver outra...

O Diário de  Notícias de hoje é imperdível por causa do suplemento Q º. Encadernado jornalisticamente por João Céu e Silva ( um jornalista já entradote que devia saber melhor...) é um compêndio revisionista da História contemporânea portuguesa no que ao 25 de Abril concerne.

Em 24 páginas, nas quais procurou encontrar " a verdade histórica do 25 de Abril", considerada ainda assim muito elusiva, para estrangeirar um pouco, não arranjou espaço para mencionar livros e obras de autores que não sejam "os do costume" e cuja verdade é sempre a mesma, repetida já ad nauseam e que nauseia o leitor por isso mesmo.

Veja-se bem quem indicou como "autores referenciados", para historiar o 25 de Abril de 1974:

" sempre os mesmos..." como diria o Santana. Enfim, para variar e lembrar que há outros, aqui fica uma imagem de alguns livros que ajudariam o autor do suplemento a pensar melhor e a encontrar um fio condutor, de ariadne, para sair do labirinto da saudade antifassista em que está metido.


Poir outro lado, mostra uma entrevista com Joaquim Vieira e Reto Monico, autores do livro já aqui recomendado, Nas Bocas do Mundo, recente e sobre o olhar da imprensa estrangeira durante o ano e meio de PREC que tivemos para nossa desgraça colectiva.

Perguntados sobre qual imagem os impressionou mais entre todas as recolhidas, indicaram esta, publicada na Paris Match de 11 de Maio de 1974.



Como bónus deixo aqui a outra imagemm que a revista publicou sobre o mesmo tema: a caça ao "pide". Esta parece-me mais icónica...


É também desta altura a foto seguinte, publicada pela Paris Match e que ilustra a liberdade dos jornalistas entrarem no apartamento de Mário Soares e família, coisa que se perdeu ( essa liberdade, claro) por motivos desconhecidos. Quadros? Onde estão? No escritório? A modéstia imperava nesses tempos de austeridade...
Aquela fruteira, a lembrar a de Zeca Afonso...aqueles talheres...aquela penumbra...aquela garrafa de vinho em cima da mesa...aquele pratinho vitrificado na Marinha Grande...aquele jarrinho com água e napperon em cima...fantástico.


O mesmo suplemente dá relevo a um livro de uma tal Ana Aranha, jornalista na Antena Um e que anda às aranhas para mostrar em documentos sonoros e entrevistas avulsas, aos Sábados de manhã,  o que foi o horror da "pide". Hoje a entrevista  era com o "historiador" Fernando Rosas, preso pela "pide" antes de 25 de Abril ( parece que foi duas vezes à missa nesse dia...) e preso pelo Copcon já durante o PREC.
Rosas contou os horrores ta tortura a que foi submetido antes de 25 de Abril e lembrou idênticos horrores que passou depois às mãos dos militares que julgavam que estavam ainda a combater terroristas ( Rosas não era nada disso, e tinha ido três vezes à missa, nesse dia).
Por fim, declarou algo extraordinário embora estúpido qb: disse "ainda bem" que o PREC não foi como o PCP e Vasco Gonçalves queriam ( não foi bem assim que disse mas é a mesma coisa) porque senão teríamos por cá um regime pior do que aquele que tínhamos derrubado em 25 de Abril de 1974.
Ora isto é inédito como afirmação de um doente infantil do comunismo. O que faltou dizer ( mas ainda vai a tempo) é que o que o mesmo defendia ainda era pior que as duas hipóteses celeradas da equação...

Este Rosas é o historiador oficial do regime que temos. Ele e o Pacheco que anda afastado destas lides comemorativas. Dirige seminários ou conferências ou estudos e orienta "teses" e coisas que tais.

Onde nós chegamos!

15 comentários:

zazie disse...

O que é impressionante é que esta treta das "referências" é pura publicidade para vender livros de uns pascácios nascidos no outro dia.

Tudo a chegar-se à frente, às cavalitas sempre dos mesmos.

josé disse...

Não têm emenda.

Veja a foto que agora coloquei do apartement de Mário Soares, provavelmente no Campo Grande...

É de antologia e foto raríssima. Há outra mais pequenina na edição de 11 de Maio de 1974. Esta foi publicada na edição de 30 de Agosto de 75 mas é de 74, da altura daqueloutra que não publiquei.

É um compêndio semiótico.

josé disse...

Appartement, claro.

zazie disse...

Já vi ehehehe Como subiu na vida a pulso

":O))))))

Mas essa do Rosas teve piada. Mesmo muita piada. Como será que os discípulos tratam estes "dados históricos"

AHAHHAHAHA

O ensino superior está uma vergonha. Chegou mesmo ao ponto da anedota.

João José Horta Nobre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Aquela casa-de-jantar está mesmo catita.

Os boiões de compota em cima da mesinha e os talhes mal arrumados no prato.

De quem seriam os pezinhos de senhora mais ao fundo?

Seriam da Olímpia que era a criadita recolhida que depois deu em maçónica e mulher do joãozinho?

Floribundus disse...

tro·pa·-fan·dan·ga
substantivo feminino
Grupo de gente indisciplinada ou desprezível.

"tropa-fandanga", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 2014].

tenho um objecto redondo como o que está por detrás da garrafa, no qual coloco os que estão quentes

este serviu para colocar os 'tachos'.
o boxexas está com cara de bancarrota

Anibal Duarte Corrécio disse...

Síntese

O 25 de Abril abriu as portas da Europa à alcateia.

Vieram os fundos, roubaram e saquearam tudo o que podiam e não podiam.

Liberdade e Pré-Bancarrota passaram a constituir sinónimos.

Maria disse...

O extraordinário texto que João José Horta Nobre colocou no seu História Maximus dando a sua opinião sobre o que era Angola antes do 25/4 e em simultâneo fazendo a comparação entre o que foi o regime do Estado Novo e este mentirosamente intitulado 'democrático', porém falso e podre, que lhe sucedeu, obtém-se o retrato fiel e perfeito das inúmeras e indesmentíveis qualidades que aquele personificou e os incontáveis e gravíssimos defeitos deste em que chafurdamos há tempo demasiado e igualmente indesmentíveis.

Nele(como aliás são todos quantos o autor escreve e publica) está tudo o que deve estar para um conhecimento cabal de quem ainda está a leste do que foi a verdadeira génese do anterior regime no qual sempre pontificou um elevadíssimo grau de patriotismo, honestidade, ausência total de corrupção e absoluta integridade política, em trágica oposição à natureza pérfida de que se reveste este em que os pulhas que o engendraram, ludibriando-nos, aproveitaram-se malévola e conscientemente da ingenuidade do bom e crente povo português que neles depositou toda a sua confiança na esperança de um futuro promissor, conforme fora anunciado à exaustão durante anos e anos pelos maiores escroques e aldrabões que jamais pisaram solo português.

O fuzilamento, se re-introduzido no Código Penal - e devê-lo-ia ser com carácter d'urgência para casos de tão extrema gravidade quanto os cometidos pelas esquerdas comunista e socialista revolucionárias - seria o castigo exemplar a aplicar a este género de seres infra-humanos pelo mal que infligiram aos portugueses, igualando ademais o que ainda hoje é prática corrente na grande maioria dos países do mundo, democracias ou não, a quem comete crimes de Alta Traição à Pátria.

Unknown disse...

como conheço pessoalmente pessoas mobilizadas para o 28 de setembro, aconselho a quem gosta de romances a ler com atenção as patranhas do do 28 setembro.vem na linha das previsoes do fim do mundo em 12-12-2012. Se gostam de excursoes podem fazer uma viagem ao monte clerc em França para rezarem tambem pelo 28 de setembro que a inventona conta.Talvez tenhamuma iluminação que os ponha em transe esclarecido.

josé disse...

António Cristóvão:

quais são as patranhas do 28 de Setembro?

João José Horta Nobre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José disse...

Então, as patranhas aparecem ou são fogo de vista?

Maria disse...

"Neste magnífico e esclarecedor texto (como aliás são todos quantos o autor escreve e publica)...".

(Assim é que está bem. Inicialmente foi como escrevi a frase mas na revisão por qualquer motivo alterei-a sem ter dado por isso).

Quanto a agradecer-me, não tem de quê. Nós leitores é que temos a obrigação de o fazer penhorados, ante os magníficos escritos de sua autoria, assim como histórias verídicas, outras, bem interessantes cuja leitura tanto prazer nos dá.

Anónimo disse...

A foto do pide RODEADO por G3 já tinha feito parte duma mostra internacional de fotos na cordoaria; há séculos.
Quem teve instrução militar vê logo que esta foto é tanga. Se uma G3 disparasse por azelhice ou por avaria, haveria muitos mortos do lado em frente ao cano.
Um círculo de armas automáticas e de repetição, nem na banda desenhada.