Em entrevista à Rádio Renascença, Cravinho considera que «as redes de tráfico de influências são o principal problema do país» e acusa a classe política de não enfrentar o desafio.
«Isso hoje é o grande problema que nós temos pela frente, que é essencialmente um problema político, da classe política, e a classe política em Portugal, hoje, afasta toda e qualquer possibilidade de se considerar sequer o problema», diz.
«Podemos fazer uma experiência, vão agora à Assembleia e ponham as coisas preto no branco, numa linguagem muito simples. Onde está o centro da corrupção grave em Portugal? Eu digo, está no sector político. Perguntem aos líderes políticos e vão ver se eles não assobiam para o ar», afirmou o ex-ministro, numa entrevista que será transmitida este sábado no programa Res Publica.
No processo Face Oculta, o advogado Rodrigo Santiago, do arguido Godinho, já disse que há altas figuras do Estado envolvidas no caso.
Agora, Cravinho repete a mensagem.
Curiosamente, quem serão as tais personagens misteriosas do aparelho de Estado envolvidas nestes "esquemas"?
O Face Oculta permitirá a resposta? E o Freeport? E...? E...?
Então, se isto é assim claro e directo, porque andamos a brincar aos cóbóis, num faz de conta em que respeitamos direitos, liberdades e garantias de bandidos? Quantas escutas serão precisas para se entender o "esquema" destes sacanas sem lei?
E que nos esfolam o couro, cabelo e ainda se preparam para nos esfolar votos, em maiorias para continuaram e sacar o que não lhes pertence?
E ainda por cima gozam com todos, declarando-se publicamente impolutos e inocentes e ainda são capazes de indignação hipócrita, pela violação de segredo de justiça, de cujo aproveitamento foram os primeiros a beneficiar?