quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O poder em pânico

Era previsível, mas ainda assim a desfaçatez já vai nisto:

"Ao que o PÚBLICO apurou, a notificação tem como destinatários o director do semanário, José António Saraiva, e as jornalistas Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita.
O objectivo é impedir o "Sol" de publicar, em papel ou online, ou sob qualquer outra forma, citações, transcrições e quaisquer matérias relacionadas com as escutas telefónicas que digam respeito ao requerente Rui Soares.
Trata-se de Rui Pedro Soares, o administrador executivo da PT referido nas escutas telefónicas obtidas a partir do processo Face Oculta publicadas pelo "Sol" na passada sexta-feira, que já tinha prometido recorrer à justiça para proteger o seu bom nome e o segredo profissional a que está obrigado. Foi a sua advogada Ana Sofia Rendeiro quem acompanhou o oficial de justiça ao semanário."
O outro arguido, Penedos, já se considerou aliviado depois de ler o que consta dos autos. O advogado do mesmo, Ricardo, até já considerou que não havia violação de segredo de justiça. Mas este, Rui Soares, não é da mesma opinião. E vai daí, pimba! Providência cível para capar a informação que muitos outros de vários quadrantres já consideraram relevante e de interesse público importante.
Nestes dias, o ministro da Justiça já havia mostrado a preocupação agitada com estas infames violações de segredo de justiça e pediu à justiça da PGR que fizesse alguma coisa para parar esta praga. Não se sabe é se mencionou a violação do S. João, quando os suspeitos ficaram a saber que estavam a ser escutados. Suspeito que por essa, passava uma esponja...
Resta agora saber o que vai fazer o jornal Sol. Irá reagir ou acatar? Irá replicar o episódio do Washington Post, no final dos anos sessenta nos EUA, aquando da publicação dos papéis do Pentágono e que o poder político da época também tentou impedir pelo mesmo método?
Nessa altura, o actual ministro da Justiça, Alberto Martins, manifestou-se contra este tipo de poder, no anfiteatro do Gil Vicente, em Coimbra, perante o presidente da República de então, Américo Tomás. Calaram-no.
Tal como agora pretende fazer o mesmo, à imprensa que lhe noticia factos desagradáveis e que o podem escorraçar do lugar.
O poder nunca muda. Desta vez, o poder é Alberto Martins. Ironicamente...

4 comentários:

Mani Pulite disse...

QUEM É O JUIZ VENDIDO QUE DECRETOU A PROVIDÊNCIA CAUTELAR?O SOL DEVE DESOBEDECER DE QUALQUER MODO E PROCESSAR ESSE JUIZ POR CUMPLICIDADE COM O CRIME DE ATENTADO AO ESTADO DE DIREITO.TERÁ O APOIO DE TODO O POVO PORTUGUÊS.A BLOGOSFERA DEVE TAMBÉM PUBLICAR TODAS AS ESCUTAS.CHEGOU O TEMPO DA DESOBEDIÊNCIA CIVIL EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.ABAIXO A INJUSTIÇA PORTUGUESA!

Karocha disse...

Providência Cautelar já!
Não acredito que o SOL não tenha bons advogados.

lusitânea disse...

Duns gajos que tanto descolonizam como nos colonizam o que se pode esperar a seguir?

Karocha disse...

José
Está a ver a SIC?