domingo, 26 de novembro de 2017

O atentado de Helena Matos ao pensamento único...

Helena Matos, no Observador acaba de cometer um atentado grave contra o pensamento único em Portugal.
Veremos o que lhe irá suceder com as ideias subversivas que propaga e qual vai ser o efeito da Censura actual relativamente às mesmas. Dantes, no tempo de Salazar sabemos que não poderiam ser expostas claramente e então os comunistas dos jornais faziam-no à socapa e à espera de a Censura os não topar como aconteceu algumas vezes. Mas escreviam na mesma, mantendo os empregos. Agora não é assim. Quem não se enfileira no pensamento único é ostracizado e perde o emprego. Os exemplos já são muitos...

O texto de Helena Matos é este, mas os comentários também valem a pena ser lidos...

Os incêndios de 2017 foram provavelmente a primeira tragédia em que os portugueses se viram livres de Salazar. E esse vazio causou-nos uma espécie de desconcerto: como era possível acontecer-nos algo de tão medonho, tão cruel e dramático sem termos ali à mão aquela muleta do salazarismo, do Salazar que quis ou não quis, que fez ou não fez, que conseguiu ou não conseguiu?

Na verdade o estereótipo do taxista que perante o trânsito caótico da capital invocava a falta de “um Salazar” (que por sinal não tinha carta de condução) tem o seu reverso no Salazar omnipresente das elites. Tragédias, deficiências do sistema de ensino e de saúde, carências na habitação, costumes que se pretendem alterar tudo remontava a uma vontade de Salazar que a democracia ainda não tivera tempo para resolver.

Esta salarização das nossas vidas levou a tragédias como a acontecida com a fuga dos portugueses de África, subestimada e ignorada durante meses porque aqueles que a referiam caíam logo no espectro do salazarismo. Levou também a ficções como a de uma I República feminista versus um Estado Novo que excluiu as mulheres da vida política. E produz anedotas como a do fado-futebol que de símbolos do salazarismo bafiento, passaram a representar o Portugal moderno e progressista do século XXI.

A ditadura salazarista, como todas as ditaduras, cultivou a desresponsabilização do povo: o governo dava, o governo fazia, o governo sabia. Para nossa desgraça a democracia não só não mudou este paradigma da desresponsabilização de cada um de nós como até lhe acrescentou dois outros pilares: o primeiro passa pela identificação entre a bondade dos governantes e aquilo que eles “dão” – Salazar não dava porque era mau e atrasado, nós damos porque somos bons e modernos; o segundo é personificado pela figura do morto sempre presente quando algo corre mal – tragédias, erros, questões de época… tudo leva invariavelmente a Salazar. Ou levava pois, como descobrimos perante os corpos carbonizados pelos incêndios deste ano de 2017, já não faz qualquer sentido invocar Salazar para explicar os nossos falhanços.

Esta constatação tornou-se ainda mais perturbante porque ao mesmo tempo que se procede ao balanço dos incêndios se assinalam cinquenta anos sobre as cheias de 1967.

Invariavelmente apresentadas como um momento de falhanço do regime de então – e são-no de facto – as cheias de 1967 tornaram-se uma espécie de corpo bizarro e incómodo neste ano de 2017 marcado por outra tragédia: afinal os desastres acontecem independentemente da natureza dos regimes e, o que de modo algum esperávamos que viesse a repetir-se, o falhanço das respostas e do socorro imediato aconteceram de novo.

Em 2017, tal como em 1967, quando os portugueses mais precisavam do seu Estado descobriram-no ausente. O que sobrava então: Salazar. Tinha de ser. Sem Salazar tudo era demasiado parecido. E assim Salazar voltou aos títulos. Para todos os efeitos as cheias de 1967 tornaram-se na tragédia que Salazar quis esconder. A imagem é poderosa mas falsa. Porque a tragédia foi mostrada. Na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967 e nos dias seguintes, a censura foi claramente ultrapassada pelas circunstâncias: a censura era um exame prévio a notícias enviadas atempadamente para os censores. Perante a dimensão do acontecido nessa noite as redacções começaram a trabalhar a um ritmo frenético: os jornais fazem várias edições por dia. As tiragens com novas informações sucedem-se a um ritmo tal que se chega a escrever a hora a que aquela edição foi para a rua pois já outra se estava a preparar. Para mais as cheias aconteceram na zona de Lisboa – onde estavam as redacções – e não em Trás-os-Montes ou em Moçambique. E as vítimas e a destruição espalham-se por quilómetros. Quilómetros esses percorridos por jornalistas, repórteres e estudantes. Há câmaras de filmar, fotografar e gravadores. Ouvidos e olhos. Canetas e blocos de apontamentos. Que entram no que sobrou das casas, nos quartéis de bombeiros, nas morgues oficiais e improvisadas, nas urgências dos hospitais…

Certamente que o regime gostaria que a tragédia fosse relatada doutro modo (ou quiçá de modo algum) mas na verdade a censura não conseguiu impedir a torrente de informação quer sobre as cheias de 1967, quer sobre as condições de vida nos bairros de barracas que a água e a lama tinham destruído.

A forma quase mântrica como agora se refere a intervenção de Salazar no controlo da informação sobre as cheias de 1967 não trouxe um maior rigor na abordagem ao acontecido em Novembro de 1967 mas mostra à evidência como em 2017 gostaríamos de continuar a ter um papão a quem pudéssemos responsabilizar por tudo o que aconteceu e acontece. E assim como certamente teria agradado à censura da época continuam a ser praticamente ignorados os roubos e pilhagens que tiveram lugar após as cheias de 1967. Mais, a politicamente muito embaraçosa explosão do Forte do Carrascal caiu no esquecimento: na noite de 25 para 26 de Novembro a água entrou num dos paióis desse forte próximo de Linda-a-Velha que explode na manhã de 26. Não houve mortos mas milhares de pessoas entraram em pânico em Oeiras, Paço de Arcos, Algés… e abandonaram as suas casas. No dia seguinte voltarão a fugir porque há indícios de uma nova explosão. Na época os jornais limitaram-se a transcrever os comunicados militares e não deram mais que a versão oficial dos acontecimentos. As fotos são escassas. Os relatos dos fugitivos quase nenhuns. Meio século depois a explosão do Carrascal continua a ter muito para contar.

Igualmente mantém-se a tendência para tratar os números como um reflexo da nossa vontade e não um produto da realidade: os mortos das cheias de 1967 passaram de uns oficialmente subestimados 462 (no próprio dia em que esse número é dado a conhecer apareceram mais dois cadáveres) para um número redondo –700 – mais repetido do que fundamentado.

A catástrofe de 2017 passou finalmente a certidão de óbito a Salazar como argumento-desculpa para os problemas do presente. Mas subitamente desprovidos desse Salazar até agora omnipresente constatamos como as versões simplificadoras são más conselheiras.

Agarrada à caricatura do Salazar que mandava a censura cortar, a sociedade portuguesa continua a apreciar um jornalismo acomodado – “jornalismo de sarjeta” foi a expressão que se tornou quase consensual em 2007 para classificar os jornais que então revelavam alguns dos procedimentos de José Sócrates – e mostra-se perigosamente desatenta em relação à proliferação de poderes censórios entre entidades que ao contrário do poder político não são escrutinadas e não têm rosto como é, por exemplo, o caso da Comissão Nacional De Protecção De Dados que ao mesmo tempo que não levanta entraves à constituição da maior base de dados que Portugal já conheceu – a informação que as finanças detêm sobre nós a partir do e-factura – intervém na divulgação de relatórios como o dos incêndios de Pedrogão. E a lista dos maiores devedores da CGD que não podemos conhecer?

A isto junta-se o espírito do tempo em que tudo é assédio, violação da privacidade e infracção do direito a isto e àquilo que no limite leva a estas paradoxais perguntas: as fotografias das cheias que a censura cortou em 1967, como aconteceu com as dos funerais das crianças levadas pelos seus colegas de escola, seriam publicadas hoje? E as dos mortos que então foram publicadas sê-lo-iam hoje?

Este Salazar que mantemos vivo pode ser psicanaliticamente um caso interessante mas politicamente é um desastre. Os governantes que lhe sucederam, seja na ditadura ou na democracia, demoraram a habituar-se a não o invocar na hora de assumir responsabilidades e fazer opções difíceis.

Muita da nossa mediocridade, da nossa incapacidade de fazer reformas e do nosso constante adiar das escolhas difíceis passam precisamente por fazermos de conta que continua a tutelar o país e a determinar as nossas vidas esse homem enterrado há 47 anos no cemitério de Santa Comba Dão.

Quanto aos comentários respigo alguns, particularmente de um komentador que assina Carlos Quartel e outro que assina com pseudónimo Ética Nicómaco e que cita este blog. Nota-se que as pessoas não embarcam de modo acéfalo como fazem os jornalistas do costume, no embuste nacional e colectivo que pretendem impingir como informação:



Gostei particularmente da sua intervenção supra exarada. Afirmo-o por ser verdade e para que não considere que a minha presente intervenção tem como fito a mera contradição. De outro modo, por curiosidade, onde e quando frequentou a escola?
Dito isto, saliento que, por ironia,  os bairros de lata que no fim da década de 60 proliferaram na coroa envolvente de Lisboa e os bidonville dos subúrbios de Paris, dos quais ficou tristemente célebre o de Champigny-sur-Marne habitado designadamente por portugueses, tiveram como causa imediata a forte migração de rurais para as maiores cidades, fruto por sua vez, da prosperidade relativa que se fazia sentir nestas resultante do grande crescimento económico de 1960 / inícios de 70 (em Portugal, apesar de tudo o que indevidamente se diz da performance económica conseguida no consulado de Salazar e do Estado Novo em geral, as taxas de crescimento de 1961 a 1973 foram sucessivamente as seguintes: 3,58%, 10,53%, 3,84%, 6,05%, 9,41%, 4,55%, 4,15%, 5,07%, 2,43%, 8,47%, 10,49%, 10,38% e 4,92%, do que resulta a média de 6,45% / ano _ vide, PORDATA). Foram dores de crescimento, compare-se com as "loas e aleluias" dos anémicos crescimentos actuais!
 (...) 
Estou a falar de Ribatejo, anos 49/50.Era normal ver gente adulta  descalça, as raparigas traziam as tamancas na mão e só as calçavam à entrada da vila, depois de passarem os pés por água num fontenário. As pessoas comiam feijão com couve e bifes era coisa desconhecida.Uns bocados de toucinho ou fressura, batatas, uma galinha pelo Natal. Remendavam-se calças e camisas e remendos nos traseiros era imagem frequente.Mesmo a gente os escritórios virava os fatos e punha remendos nos cotovelos dos casacos.
A frieza dos números não chega.Voltamos ao frango para dois, onde um come 90% e o outro come uma pelintra asa....

(...)

a) Desde o séc. XIX até aos anos 60-70, em Portugal como em quase toda a Europa, houve uma afluência de pessoas vindas da província para as Capitais e grandes cidades, e havia bairros da lata em França, Inglaterra, e em quase todo o lado.

Portugal não era caso único.

b) Salazar mandou construir muitos bairros sociais, casas de renda limitada, etc. (o actual Bairro de Alvalade era quase todo habitação social, mais a Encarnação, os Olivais, Santa Cruz de Benfica, Alvito, etc., tem aqui uma lista parcial e mais informações:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bairros_de_Lisboa

c) As zonas onde houve inundações mortais em 1967 eram zonas de baixios e leitos de cheias, onde nunca devia ter sido autorizada construção. Já em 1967 se falou nisso.

Mas acontece que a maior parte dessas construções não eram legais, e nem quem lá vivia, nem as autoridades, alguma vez imaginaram que essa catástrofe pudesse acontecer.

Exactamente como em Pedrógão!!!

Portanto, deixem-se das ladaínhas contra Salazar, porque ele foi tão culpado das cheias, quanto o Costa dos incêndios.

E quanto à censura, as partes do relatório que não são divulgadas e o "segredo de justiça", são o quê?
(...)

Salazar tentou minimizar a tragédia e tinha razões para isso. A tragédia não foi a chuva, a tragédia eram os bairros da lata, a miséria, a pobreza em que viviam muitos milhares de portugueses. E Salazar sabia-o. Os estudantes que  foram ajudar as populações ficaram abismados com tanta miséria, mas  Salazar sabia-o e não queria mostrar o atraso e o fracasso.
Mas Salazar não tinha a imprensa controlada, tinha a censura, mas não tinha os jornalistas, que furaram o que puderam furar, que informaram muito mais do que o ditador gostaria.
Costa tentou controlar, esconder e minimizar os fogos, os mortos e o roubo de armamento. Costa não tem censura, mas tem os jornalistas, não precisa de lápis azul, são as redacções que tratam do assunto, fugindo às primeiras páginas e deixando arrefecer as matérias menos convenientes. 
Comparem resultados e verão que o sistema Costa é melhor. Os actores contratados para fazer perguntas são um bom exemplo do que se pode fazer, sem que o alarme  toque nas redacções.....

Lembro-me perfeitamente das cheias de 1967, das notícias na televisão e nos jornais que duraram vários dias, do avolumar da catástrofe à medida que se descobriam mais corpos, e do choque que isso provocou em todas as pessoas. Pouca diferença faz se as vítimas foram 200 ou 700.

Em 1967, não existiam os conceitos de liberdade de expressão que hoje conhecemos, nem aqui nem em nenhum outro lado.

A França nunca falou abertamente do que aconteceu na guerra da Argélia, os EUA encobriam muito do que se passava no Vietname, a Irlanda decidiu nesse mesmo ano acabar com a lei da censura, sempre houve censura sobre o que se passava na Irlanda do Norte, havia os países de Leste e a RDA, a lista é longa e quase inesgotável.

A França só conheceu os conceitos de liberdade que hoje vigoram após Maio de 1968... e os outros países só a pouco e pouco seguiram esse processo.

Portanto em 1º lugar é preciso colocar as coisas no seu tempo.

Em 2º lugar, a censura continua a existir, em todo o lado: desde o Google e o Facebook mais as caixas de comentários onde existe um botão "denunciar", até à censura de materiais pedófilos ou nazis, passando pela censura de imagens chocantes ou sexuais, de tortura etc., e também censura por razões políticas, por exemplo nos jornais de esquerda em relação à direita e vice-versa, e pelos governos - todos eles - em relação aos terroristas, aos extremistas, ou a países e regimes com os quais existem tensões ou desacordos.

Qualquer código de conduta, em qualquer contexto, é uma forma de censura.

E o contraponto da censura é obviamente a propaganda.

Helena Matos tem absolutamente razão: em 1967 a censura foi ultrapassada pelas circunstâncias.

Falta acrescentar que hoje, as cheias de 1967 estão a ser usadas como propaganda...!

(...)


Há imensas diferenças entre 1967 e 2017:

1. Opções pessoais Vs Opções de baixa política.

1967: Tragédia causada por milhares de decisões individuais de milhares de pessoas (ao longo de décadas milhares de pessoas foram construindo, mal e a maioria das vezes de forma clandestina, em locais onde não se devia construir).

Incêndios 2017: tragédia causada por uma decisão do poder político: a decapitação da proteção civil a três meses da época dos fogos! Pessoas competentes e com know how (algumas vindas do tempo de Sócrates)  foram substituídas  por boys do PS sem competência nem conhecimentos na matéria.

2.  Subsidiariedade Vs Estado Social

1967: a sociedade, sensibilizada e horrorizada pelas notícias, reagiu como um todo para ajudar as famílias e populações atingidas, milhares de sermões em milhares de paróquias, mobilizaram o país, sendo que o quadro mental do tempo era o da subsidiariedade, ie, o Estado apenas ia onde a sociedade civil não conseguia. O Estado, mesmo tendo de suportar uma guerra em 3 frentes ativas e mais umas quantas latentes, a maior movimentação de tropas desde a 2ª guerra mundial, comia menos de 22% do PIB e a sociedade civil sabia que toda a solidariedade social era responsabildiade  das redes de proximidade. 

2017: a sociedade reagiu com migalhas (uns poucos milhões de euros de donativos que o Estado fez desaparecer) porque o quadro mental do socialismo que nos governa desde 74 é: "Tudo pelo Estado, nada fora do Estado" o que leva o Estado a comer mais de 50% do PIB, irrita imenso cada contribuinte e desresponsabiliza todas as pessoas porque "Eu já pago para um Estado rapace muito mais do que devia; eles agora que vão acudir a quem precisa".

Além disso o Estado tem paulatinamente mas de forma segura destruído as teias de relações de proximidade (também conhecidas por família) pelo que cada pessoas é relevante para muito poucas pessoas. E assim quando há uma tragédia, quando há uma perda de emprego, ou um vidro partido,  o que antes era resolvido pela rede familiar, agora é chutado para o Estado, os envolvidos exigem indemnizações e demissões e responsabilizações e milhões do Estado, que nomeia comissões , psicólogos, grupos de missão, e mais quantos taxas e tachos conseguirem inventar. 

3. Esperança Vs Desilusão

Em 1967 as pessoas estavam felizes, tinham estabilidade familiar e segurança laboral, muita esperança no futuro pois o crescimento económico era enorme (o 2º maior a nível mundial, logo depois e Taiwan), sabiam que os seus filhos teriam uma vida muito melhor que eles, o que fazia com que 9 milhões de portugueses tivessem 200 mil filhos por ano, tanto nos campos como nas cidades, onde as ruas eram povoadas de manadas de crianças a jogar à bola o dia todo e sem outra preocupação que não aparecer em casa à hora de comer. Havia mais filhos quando as pessoas saíram dos campos, do que havia nas décadas anteriores onde um novo filho eram mais dois braços para a lavoura.  

As pessoas sabiam que havia a PIDE e censura, mas quem não fosse comunista pouco tinha a temer, e em Angola e Moçambique a PIDE era o anjo protetor de quem sentia a vida verdadeiramente em perigo.

Em 2017 debaixo da pata socialista as pessoas vivem angustiadas, sabem que os filhos terão uma vida muito pior que elas, ganharão menos de 900 euros por mês, terão muito mais dificuldades em formar e manter a família, sabem que para alimentar as clientelas xuxa a pressão do Estado sobre as empresas e pessoas é sufocante segundo o velho lema "se dá lucro taxa; se continua, regula e taxa ainda mais; se faliu subsidia", pelo que só um doido masoquista se mete a criar novas empresas e emprego aqui (vai criar lá fora);  além disso a PIDE está por todo o lado a policiar ideias, palavras, a fazer julgamentos e linchamentos públicos (qualquer pessoa acusada de ser homem=violador, ou branco=racista, ou homofóbico, ou islamofóbico, ou hetroprtriaca, etc.) é imediatamente assassinado nas redes sociais, na praça pública, sem sequer ser ouvido, os jornais fazem verdadeiro bullying a políticos, a figuras públicas, cidadãos anónimos, etc., o Estado controla a vida das pessoas e das instituições a um nível que Salazar nem sequer sonhou possível, a maioria da sociedade é trabalhador do Estado ou por conta de outrem numa das poucas mega-empresas que sobrevive pelo concubinato com o Estado, o que leva as pessoas a uma existência cinzenta, sem chama, sem nada pelo que lutar e viver, o funcionalismo público (mais bem pagas que o privado) é afinal uma imensa fábrica de pessoas infelizes e deprimidas, pelo que o caldo de 2017 faz as pessoas achar que não-existir é preferível à existência, não viver é preferível à vida, e no verdadeiro teste à esperança no futuro os 10 milhões de portugueses respondem com 80 mil nascimentos por ano, o que só agrava ainda mais o quadro descrito acima.

Os Galambas da oligarquia podem dizer milhares de coisas sobre o futuro radioso, e a claque xuxa aplaude,  mas quando se confrontam com a pergunta "acreditas mesmo nisso?" a maioria responde "não, não acredito e é por isso que  não tenho filhos".  
O que acima fica exposto em itálico é extraído dos comentários ao texto de Helena Matos. 

Dito isto pouco mais tenho a acrescentar, senão recortes e mais recortes da época. Gosto de mostrar uma opinião, mas ainda mais se fundamentada em factos que todos podem reconhecer, ao contrário destas gente que agora escreve sobre o regime de Salazar que fala de cor e salteado o que lhe ensinaram nas madrassas do jornalismo nacional.

8 comentários:

zazie disse...

Grande comentário

Floribundus disse...

ainda atropelam a Dra Helena numa esquina ou passadeira

os preços para um 'serviço pesado' já não estão 'pela hora da morte'
há descontos na Black Friday de todo o ano

joserui disse...

A Helena Matos é bruta de cima a baixo. Às vezes acerta. "Invariavelmente apresentadas como um momento de falhanço do regime de então – e são-no de facto – as cheias de 1967 " Mas responsabiliza o regime de Salazar porquê exactamente? Por ter chovido?
Quanto a construir em leito de cheia, designadamente em Lisboa, é assunto mais que estudado. Um dia destes chove democraticamente e vai tudo parar a meio do Tejo. Ainda há poucos anos, na muito democrática Albufeira, choveu um bocado e foi uma enxurrada inacreditável. Neste país não morre mais gente nestas coisas porque a Nossa Senhora deve mesmo estar a velar constantemente. Ter morrido tanta gente nos incêndios este ano e não em meia dúzia de anos anteriores, é puro casuísmo e desenrascanso.

joserui disse...

Em termos relativos considero a tragédia dos incêndios muito mais grave. Por várias razões.
Primeiro, é uma tragédia anunciada todos os anos, ao contrário da chuva. O que se fez na floresta, a irresponsabilidade e o crime, existem todos os anos e todos os anos a catástrofe é iminente.Por coincidência o Costa esteve em dois dos piores anos a desfilar a sua incompetência, primeiro como super-ministro do 44 e agora como primeiro ministro. Não aprendeu nada e enganou-se nas emoções.
Segundo as previsões das condições climatéricas de há 50 anos não se podem comparar. As autoridades tinham os dados e nada fizeram. Emitem alertas às cores e é tudo.Toda a comunicação, canais de tv, de rádio, pasquins, nada serviu para alertar as populações.
Terceiro, os meios são incomparáveis com os de há 50 anos, mais uma vez tecnologicamente, mas também em quantidade. O dito SIRESP falhar como falha, alguém imaginaria o mesmo no tempo de Salazar? Ter gasto milhões aos contribuintes, não funcionar, sem responsabilidades? Eu não imagino. Aliás, nem imaginava hoje, mas consegue-se sempre descer mais um degrau de abjecção.

joserui disse...

A seca se continuar, vai mais uma vez colocar a descoberto o estado que temos. Gatuno e do salve-se quem puder. Quando faltar água nas torneiras, a culpa vai ser de Salazar. Que eu saiba, até agora o Estado nada fez de substancial — o Costa anda por aí a arreganhar a taxa e um dia destes vai mandar o ministro do ambiente fazer a dança da chuva… se não chover, a culpa não é dele.
Entretanto, o Tejo é um rio praticamente morto.

Adelino Ferreira disse...

Deixando tudo o resto.

.....teriam uma vida muito melhor que eles, o que fazia com que 9 milhões de portugueses tivessem 200 mil filhos por ano, tanto nos campos como nas cidades...

O abono de família era um complemento para mitigar a miséria e se fosse funcionário público ainda mais,pois os ordenados eram muito baixos mas o abono de família muito mais elevado.
E já nem abordo a mão de obra infantil. Sim! Eu sei...

Vivendi disse...

"em 1º lugar é preciso colocar as coisas no seu tempo."

Algo que não entranha na cabeça de muitos.


Humor negro...

Se hipoteticamente acontecer um novo terramoto em Lisboa como é que irão tapar o sol com a peneira?

É que Salazar passou incólume a essa tragédia por graça divina. (hehehe)
Ponde-vos a pau merdocratas.

antonio afonso disse...

NADA A COMENTAR. É A VERDADE.

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