sábado, 3 de dezembro de 2011

O jacobinismo em estado puro

O que é a Benetton? Uma empresa de roupa casual para venda em mercado global. Um símbolo do capitalismo tal como o entendemos nos dias de hoje, na vertente produtiva de mercadorias. Roupa, essencialmente. Para vender o maior número possível e aumentar os lucros, com as famigeradas mais valias, dantes tão vilipendiadas pelos marxistas, o que faz esta empresa? Além do produzir a mercadoria nos lugares onde lhe parece mais rentável fazê-lo, publicita-a o melhor que sabe e pode.
Algumas das campanhas publicitárias da Benetton provocaram polémica e protestos variados pelo efeito pretendido pela empresa de chocar as pessoas.
Os publicitários italianos e os donos da firma não acharam melhor estratégia de marketing comercial do que publicar grandes pancartas publicitárias com imagens-choque sob a capa artística e com laivos de pretensa evolução artística revolucionária. O mau-gosto não importa, desde que sirva para vender o produto- é essa a lógica inexorável que os marxistas sempre entenderam e por isso vituperam o capitalismo.
Mas há marxismo e marxismo e a esquerda portuguesa tão bem exemplificada no artigo de São José de Almeida no Público de hoje, jacobino até mais não, encontrou outra bête-noire para malhar, para além daquele fenómeno que "agora não interessa nada": a Igreja Católica, cujo Papa lhes é hostil ao ponto de perderem as noções básicas da realidade mais comezinha e começarem a tergiversar em eloquências patéticas.

A última campanha-choque da Benetton encontrou novamente um motivo de escândalo de que tanto precisa para vender camisas de noite e roupas de dia: supostamente inspirada numa ideia de "paz e amor", com recendências hippies, entendeu hostilizar abertamente a Igreja Católica, ofendendo a sensibilidade à flor da pele da sua hierarquia mais elevada.
Sabiam que tal ia suceder, quiseram-no expressamente para aparecerem nas notícias de todo o mundo que compra roupa nas suas lojas e não recuaram senão após ameaças de procedimentos judiciais por ofensa à imagem do Papa. O efeito estava conseguido e por isso, cederam. Tudo nos conformes dos compêndios do marketing e da avidez do lucro.

Eis senão quando, aparecem estas abencerragens da esquerda florida hippie e serodeamente jacobina a protestar contra a Igreja Católica por ter sido "intolerante". E com argumentos de um peso intelectual de fazer vergar uma mula velha carregada de alfarrábios. A Igreja ( a que apodam de ICAR rebuscando o acrónimo) "demonstrou ignorância em relação às simbologias de poder e à história " ( sic) e "também porque passou para a opinião pública a imagem de que o que estava em causa na campanha seria a erotização da casta imagem de um líder religioso, resvalandoo aqui na mais opressora homofobia " ( sic again).

Esta ideia primária sobre a ignorância do Papa ou do Vaticano, além de estúpida é ignominiosa e reveladora mais de quem a profere do que de quem pretende atingir. E mesmo não descobrindo no comunicado do Vaticano qualquer laivo da imputação, o processo intencional já foi levantado e terminado com acusação à boa maneira inquisitorial ou mesmo estalinista.

E toca depois a tecer o panegírico mais uma vez de uma estupidez flagrante, à campanha publicitária de uma empresa multinacional cujo único desiderato é vender roupa. Mistura a "simbologia do poder" com a cultura europeia e procura explicar fenomenologicamente a ocorrência histórica de um beijo na boca dado por dois marmanjos do poder socialista do antigo bloco soviético, em nome de uma tradição e de um folclore que foi explorado iconicamente e até ridicularizado, mas cujo valor simbólico é agora recuperado em nome de uma lógica capitalista.
Maior estupidez pode existir, assim?
Só mesmo no jacobinismo...



E depois disto, ocorreu-me uma ideia: e se aparecesse por aí, em pancartas a publicitar, sei lá!, por exemplo a campanha da esquerda contra a "troika", uma imagem de Álvaro Cunhal nestes mesmos preparos com Honneker, o que aliás é muitíssimo plausível ter sucedido?

10 comentários:

Mimi disse...

Jacobinos, costumo vê-los na televisão com a bandeira da Carbonária na lapela.

Gostava de saber se o Estripador de Lisboa está preso ou é mais um episódio de vaudeville.

joserui disse...

Não sei debaixo de que pedra saem estas pobres criaturas... mas gabo-lhe imenso a paciência de ler tão refinado pasquim. -- JRF

zazie disse...

Esta sujeita é retardada mental.

Infelizmente esta imbecilidade que ela escreveu vende.

hajapachorra disse...

A Dona Sãozinha aos chochos com, digamos, uma das suas 'criadas' é que era progressista. É uma pena pois até parece genuinamente interessada emq parecer inteligente.

Wegie disse...

Zazie,

Eu estava só a experimentar um novo nick (Mimi) mais provocatório. Não te amofines....

joserui disse...

Que desilusão... Já estava praticamente com um fraquinho pela Mimi... malha-me Deus que a carne é fraca!... -- JRF

Wegie disse...

A foto é bem escolhida. Eheheh!!

Gabinete de Comunicação da Escola secundária do Cartaxo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

ahahahhahahahah

Eu vi e julguei que fosse uma "brasileira" a fazer-se ao José.

Fui discreta e fingi que nem dei por nada


":O)))))))))))))

Monchique disse...

Para a higiene mental e cívica do nosso País, Belmiro fartou-se e vai acabar com os desmandos do Jornal Público, cujos resultdos financeiros e sociais não acrescentam nada ao bom nome da companhia. Querem brincar com os dinheiros dos acionistas, já chega. Os senhores jornalistas que fundem um novo jornal às suas custas.Quem investe na Sonae está farto.

Chega-lhes, André!