terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Diletantes, delinquentes e desfasados

O antigo ministro da Justiça, Alberto Costa, entre outras coisas que fez no ministério, organizou "um ambicioso programa anunciado por Alberto Costa para a construção de dez novas prisões e a remodelação de outras três, projectos com um valor global então estimado em 450 milhões de euros. O seu sucessor, Alberto Martins, mandou ravaliar o programa e apresentou um novo valor para os projectos: 760 milhões de euros, ou seja, mais 69% do que o previsto.
A explicação para o desvio financeiro reside essencialmente na falta de planeamento na preparação dos procedimentos de contratação pública. O Conselho de Ministros, por proposta do ex-ministro Alberto Costa, autorizou a Justiça a avançar para ajustes directos, após consulta a várias empresas. Os valores de base então recolhidos revelaram que o orçamento inicial estava completamente desfasado da realidade do mercado. Por exemplo, a cadeia de Lisboa, que estava inicialmente orçamentada em 55 milhões de euros, viu o valor base subir para o dobro, ou seja, 110 milhões." - jornal Público de hoje, em notícia sobre "Justiça deve 9,8 milhões de euros por não ter saído de prisão no centro de Lisboa."

À parte o facto de o título ser equívoco ( propositadamente?) uma vez que a palavra "Justiça", engloba várias realidades que são facilmente confundíveis por quem lê, este escândalo deveria levar a um inquérito criminal em que o ex-ministro Alberto Costa tivesse que prestar contas bem contadinhas do que andou a fazer no ministério com os dinheiros que não eram dele.
Só para isso. E se se apurasse que estas negociatas tiveram origem em "planeamentos" obscuros, saber quem os fez e como fez.
Afinal quem paga a conta, somos todos nós e o ex-ministro Alberto Costa, enfatuado como sempre, nem se dará ao trabalho de explicar o que sucedeu. Nem foi ouvido, aliás.

3 comentários:

ZéBonéOaparvalhado disse...

José,

Em matéria de orçamentos, a administração pública deixa a desejar . só de pensar que o CCBelém - o obra cavaquista - foi orçado em 16 milhões de contos de reis e acabou em 72 milhões reis das quatro dinastias.

Todos presos pelo Pina Manique e levados para o Torel.

lusitânea disse...

Quando a democracia se esgotar(ela só sobrevive com abundância)o Estado estará sem mais nada para vender e portanto para comprar.Aí entram os maus da fita...

lusitânea disse...

O CCBelém custou 72 milhões?Alguém o consegue tirar de lá?Olha os 116 milhões para a aldeia olímpica em Maputo em 2010, obra da mui nobre lusófona e irreprensível Mota & Engil...