sexta-feira, dezembro 23, 2011

Os alemães só servem para nos ensinar Direito?

Capa da Der Spiegel- o presidente em falso...

A história conta-se rapidamente:

EM 2008, o actual presidente da Alemanha, Christian Wulff, então governador da Baixa Saxónia quis comprar uma casinha. Como não tinha dinheiro suficiente e aparenta ser pessoa séria, pediu emprestado. A quem? A um amigo rico, Egon Geerkens. Montante? Coisa mixuruca. 650 000 euros. Com juros de quatro por cento e tudo.
Crime? Não parece existir. Irregularidades éticas? Bem, aí, os jornais alemães que não são moles com estas coisas, dão a conhecer os factos. E os factos são pouco abonatórios para quem é presidente de República.

A Der Spiegel conta o resto:

Earlier on Thursday SPIEGEL reported on new details in the affair. Wulff ultimately took a second loan in order to repay the Geerkens in order to eliminate his €500,000 debt to the couple. When it refinanced the loan, private BW Bank gave the then state governor a real estate loan that wassignificantly more favorable in its terms than what would have been provided to a normal customer. In fact, it was a complicated financial construct standard for business loans, with interest rates half as high as those given to regular private customers.

On March 21, 2010, BW Bank signed a loan contract with Wulff that was similar to a revolving credit, with variable interest rates pegged to those with which banks can borrow money on the financial markets. Set to expire in December 2024, the loan's interest rates have varied between 0.9 and 2.1 percent, the president's lawyers confirmed with SPIEGEL. This kind of financing is typically granted to "exclusive private customers," the bank said in a statement.

Portanto, na Alemanha há um caso que nos faz lembrar alguém, por cá. Um presidente da República, antes de o ser, e por ser amigo de um milionário ( com quem aliás passava férias) obtém um empréstimo de favor, inequivocamente, para comprar uma casinha. Não no Algarve mas lá na terra dele. O caso salta para os jornais e uma revista de referência leva-o a sério. O que faz o presidente da República?
Ameaça os jornais? Declara publicamente que para se ser sério como ele será preciso nascer duas vezes? Não. Depois de tergiversar um pouco e de tentar aldrabar os factos, pede desculpas públicas.

As lições ficam para quem fica porque há presidentes e presidentes e o de cá, é português, algarvio, muito empertigado e o chá que não tomou em pequeno faz-lhe agora muita falta. No entanto, como estamos em Portugal, para quem é, bacalhau basta e os jornais são muito complacentes com o poder. Dixit, o próprio. Não disse complacentes; disse "suaves".

Questuber! Mais um escândalo!