quinta-feira, 23 de abril de 2009

Receita do sucesso

"O meu critério é uma coisa muito simples: é estudar e...passar!" - Primeiro-ministro hoje, no Parlamento, no debate sobre a Educação.

Muito simples mesmo. O exemplo, pode ser o do próprio José S. : estudou e...passou.

E passou a um Domingo e com exame por fax.

29 comentários:

Rebel disse...

EU também preferia ter feito como ele, mas não foi possível! Tive mesmo de estudar numa universidade que não fazia exames ao fim-de-semana e era pública!
Daí, um destes dias ele ainda vir dizer que as privadas trabalham mais porque até trabalham ao fim-de-semana!

Anónimo disse...

A utilização que o PM de Portugal fez das críticas, invocando o programa Novas Oportunidades, perguntando a Paulo Rangel se está contra as 800.000 pessoas que se estão a esforçar para completar os seus estudos, é uma característica muito acentuada de demagogo. E a demagogia neste caso é da mais perigosa, porque visa o voto de bandeja por associação do PSD aos que lhes querem roubar os cursos. Já perdeu a noção dos limites, como se nota no tom e na maneira como abusa do tempo concedido para falar, mais do que impróprio para consumo.

Ha do que disse...

"é estudar e...passar!"

Pois espero que os portugueses concordem com o critério nas próximas eleições e lhe respondam "passe bem"!

joserui disse...

Hehe, também vi essa e pensei logo nisso. E tratei de mudar de canal, que já estava a meter nojo. -- JRF

Jacinto disse...

Nunca deixarei de me surpreender com o silêncio (cúmplice?...) dos componentes da "Tenda do Faustino", quando este aldrabão "diplomado" aborda o tema "educaçâo" .
Nem ao menos a sombra de um sorriso irónico...

hajapachorra disse...

Agora era passá-lo, mas a ferro.

GBT disse...

Excelente post.
Como é possível que o PM não tenha sequer um pouco de vergonha quando fala de educação. Ele sabe que todos sabem o seu percurso académico. Que lata!
Se neste tema nos aldabra assim, certamente também o faz em tudo o resto. Já ninguém o pode levar a sério.

Colmeal disse...

hajapachorra,
Pessoalmente preferia crucificá-lo, não é ele que diz que "é uma cruz que traz ás costas" ?
Deve despachar-se, se ninguém o ajudar cá estou eu com o meu martelo de orelhas pronto a aliviá-lo do peso da cruz ...

josé disse...

Calma! Não é preciso um mártir. Basta um pontapé bem assente da região politicamente nadegueira, na altura própria.

Aurora disse...

Este Presidente do Concelho é um espanto. « estudar e ...passar» maravilha!

A Bem da Nação.

Karocha disse...

O Homem tem razão, estudar o que fiz e, passar a ferro ou a minha professora de Lavores e a avô Clara não fossem levadas da breca!

MARIA disse...

Infelizmente, o nosso país, está cheio de exemplos de pessoas mal formadas a vários níveis que quando incumbidas de um poder de autoridade só têm como critério para o seu exercício, a agressão dirigida a quem melhor se "encontre em condições de apanhar".
E só batem mesmo em quem não tem o seu tamanho e portanto, no seu entender, menos possibilidades de defesa.
Isto sempre crentes que quanto mais baterem, nem que seja no morto, maior será o reconhecimento e a notoriedade pública pelo seu exercício da autoridade.
Não admira pois que numa cultura democrática tão pobre e tão pouco digna o país tenha um PM que estudou e passou a um domingo. Chama-se a isto trabalho de mérito : dedicação integral e trabalho a tempo inteiro sem descanso semanal. Quem pode pedir melhor ?

comandante guélas disse...

“Purgatorium”
O Purgatório (“fogo temporário”), espaço definido entre o Céu e o Inferno, foi oficialmente criado na segunda metade do século XII pela Igreja, para permitir que os bons católicos pudessem emprestar dinheiro a juros sem irem directos para o Inferno, que era o castigo indicado para a usura. O martírio era igual ao do Inferno, mas com prazo estipulado. Depois de purgada, a alma do cristão ia para o Céu com a ficha limpa. E os lucros com os juros em vida mais do que compensavam o sofrimento temporário depois da morte. É por isto que o Zézito e o gangue fogem do “enriquecimento ilícito” como o Diabo da Cruz. Iriam directos para o Inferno!

vml disse...

Com o Magalhães e Simplex, nos exames vai ser maravilhoso, basta copy/paste na net e enviar por email para o prof.

Por falar em Simplex, hoje estive nos novos serviços do Min.da Justiça no Parque das Nações.

Maravilhoso, pedir um certificado de registo criminal! Tirei senha às 11h e fui atendido às 18h!!!! Maravilhoso, quase segundo-mundo, um terceiro assim com prédios novos e coiso e tal.

7 horas portanto, para pedir um papel....

Ele bem pode dar uma entrevista por dia à RTP, a inventar todas as tretas que quiser, que eu mando-o p'ro c........araças!!!

Das divergências e convergências disse...

Sócrates defende o sistema de ensino que frequentou.
A bandalheira total.
É o que já acontece. O 12º já é oferecido quando for obrigatório pior.
Pouca sorte terão os de mérito que irão ter que concorrer no mercado com inaptos.
Para mim nada mais é que uma espécie de "concorrência desleal".
As faculdades seguem o mesmo caminho, de públicas a privadas, (com raras excepções) "vendem" os cursos.

josé disse...

O problema é que não sei se há alguma instituição que ainda se preocupa em procurar o mérito, seja ele qual for.

Do que conheço do CEJ, escola de formação de magistrados, o mérito é saber muito Direito.

Não estou a exagerar.

E julgam que está tudo feito.

Leonor disse...

O CEJ nunca devia ter abolido o requisito da idade mínina para ingresso. Depois disso, tenho assistido à saída de magistrados que são verdadeiros "imaturos" e em idade de ainda pedirem conselhos aos papás quanto à condução das suas vidas quanto mais serem capazes de pensar pelas suas cabecinhas. Se tivermos em conta que têm de tomar decisões sobre a vida e destinos alheios...ficamos aterrorizados.

josé disse...

Do que tenho visto em estagiários, não está pior do que estava. Sabem Direito.
O problema é mais geral: vem já das faculdades e do ensino em geral.

Os magistrados seleccionados para o CEJ, têm obrigatoriamente que saber Direito.

Esta disciplina ( incluindo noções de Penal e Civil mais as leis processuais) ajuda a formatar um certo espírito e modo de pensar.

É nessa formatação que ocorre o perigo.

Mas não sei como evitar isto.

cfr disse...

A bandalheira do básico vai estender-se ao secundário. Porreiro, pá!

Leonor disse...

Saber direito ou ser um bom técnico não chega para julgar. E a informática veio ajudá-los e muito, mas no pior sentido. Ler uma sentença de 10 páginas onde 2 versam sobre a questão a dirimir e 8 são preenchidas com doutrina e jurisprudência é sinal disso mesmo. O problema vem de trás? Sem dúvida, mas isso não chega para desculpar na selecção, até porque há muitos candidatos... E isso faz-me lembrar as desculpas dos docentes do ensino superior: já vêm atrasados da primária. Então, porque os passam? Porque validam conhecimentos que não têm, nem demonstram?

cfr disse...

Leonor,
passam-nos pela mesma razão que os tribunais não condenam criminosos que "toda a gente vê que são criminosos": leis mal feitas.

Leonor disse...

Esse é outro problema, sem dúvida. Mas, sorry!, um bom Juiz até nas leis mal feitas se destaca!

Leonor disse...

«não condenam criminosos que "toda a gente vê que são criminosos"»?
É uma afirmação ampla demais e susceptível de erros. Não será bem assim.

cfr disse...

"um bom Juiz até nas leis mal feitas se destaca!", De acordo. Tal como um bom Professor. Já quanto às amplitudes e susceptibilidades de erros... é que me parece não poder subscrever por completo. Não tenho visto muitos Juízes a destacarem-se nas leis mal feitas ( pelo menos nos casos que vamos conhecendo pela imprensa). Quer uma lista de casos por ordem alfabética ou cronológica?
(Não veja isto como um ataque ou menorização dos Juízes.Acredite.)

Leonor disse...

cfr:
Quem discorda, como é o meu caso em muitas matérias, corre o risco de ser injusto e ser lido como atacante ao expressar essa discordância, porém nem sempre assim é. Por vezes, falta-me o engenho da escrita na exposição das ideias, outras, a capacidade de síntese, outras ainda, o domínio do assunto. Mas se há coisa que nunca faço ou tento não fazer: é generalizar. Há excelentes juízes e excelentes procuradores. Muitos fazem muito mais do que aquilo que lhes seria exigido ou pedido atentas as circunstâncias e, no entanto, são inexcedíveis. Confesso que aprecio os mais velhos, sinto-lhes outra ponderação e serenidade, mais traquejo a lidar com as situações, menos arrogância e sem medo de decidir.

Outra nota: assistir ao destaque dos bons Juízes nas leis mal feitas não é coisa que se veja na comunicação social. É no dia a dia e na barra do Tribunal.

Última nota: no que diz respeito à Justiça, nunca confie inteiramente no que vai lendo na comunicação social. São dois mundos absolutamente diferentes e com tempos e princípios diametralmente opostos.

vml disse...

"Muitos fazem muito mais do que aquilo que lhes seria exigido ou pedido"... pois eu acho que esse é um dos problemas... o esforço que muitos fazem para seguir determinada direcção...

vml disse...

Já sei! "Ai vml, vml..." eheheheh

Leonor disse...

Pronto VML!
Para não o deixar ficar mal, aqui vai: ai vml, vml...

Fliscorno disse...

O critério devia ser "aprender e passar". A diferença está no enfoque: deve passar quem aprende. O Esforço (estudar) é muito bonito no eduquez mas não é (apenas) com esforço que se fazem pontes que não caem; é preciso saber fazê-las.

O CM arrasa um juiz do TCIC