quarta-feira, 20 de julho de 2011

O escrutínio democrático do poder

No editorial do Público de hoje escreve-se que "a missão democrática do jornalismo é a de escrutinar o poder".

"Missão democrática"- o que é isso em, jornalismo? A redacção a escolher por voto secreto, a notícia de primeira página? Uma comissão de direitos, liberdades e garantias a espiolhar diariamente, à tardinha, o conteúdo das notícias do dia seguinte? O repórter minoritário a escolher o dia da publicação da sua peça? O sufrágio redactorial acerca da direcção do jornal?

Enfim, há no jacobinismo uma ilusão conceptual sobre a relevância das palavras. Algumas delas são tão sagradas que se transformam em mantras. Democracia é uma delas e tem apenas som.

"Escrutinar o poder" para um certo jornalismo jacobino o que significa? Perceber que todo o poder tende a uma autocracia, contrária em tudo à tal democracia? Escolher o escrutínio conforme o poder nos agrade ou repele? Omitir escrutínio sempre que o poder é dos que pensam como nós? Usar o jornal para instilar as ideias jacobinas de ataque a instituições tradicionais? Usar as notícias como armas não convencionais para minar o adversário ideológico?

Enfim outra vez: era melhor que pessoas assim não escrevessem coisas daquelas. Parafraseando Aleixo, pode ser que um dia destes haja alguém que exija um escrutínio a sério.

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