sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Aqui, nome de Portu Cale

O caso Portucale tem barbas mais compridas que as do advogado do arguido Abel Pinheiro, José António Barreiros.
Começou em 2004 numa auditoria do BES que detectou um pouco mais de 100 depósitos sucessivos em numerário, com valores abaixo do limite perigoso da obrigatoriedade de declaração pelo banco ao MºPº e atingiram a importância aproximada de um milhão de euros. Provavelmente este dinheiro foi dividido em "parcelas" que permitiam aos dirigentes do CDS ( Portas, em particular) confortar desvalidos que se viam em súbitas dificuldades financeiras quando pudessem assumir cargos governativos menos rendosos, o que terá sucedido mais ou menos por essa altura. As escutas do processo revelaram que Abel Pinheiro ( tinha escrito Mateus por lapso manifesto), Portas o tutti quanti estavam ansiosos por correr com o então PGR Souto Moura, tentando arranjar-lhe uma "chupeta internacional" para o verem pelas costas. Não consta que o actual tenha desses problemas...
Ainda assim, o caso saltou para o escândalo mediático e subsequentemente para o MºPº porque tais depósitos poderiam ter origem directa numa decisão governamental, favorável, de dois ministros do CDS e um do PSD, em 2004 ( Telmo Correia, Nobre Guedes e Costa Neves) e portanto a ligação poderia ser criminosa e de tráfico de influências. Está-se mesmo a ver o raciocínio de "para quem é, bacalhau basta": o grupo Espírito Santo e o grupo Grão-Pará, com elementos ligados ao CDS, mormente Abel Pinheiro ( também da Maçonaria) tentou a aprovação de um projecto de urbanização em várias hectares de sobro, com o abate de dois milhares de sobreiros, árvore protegida por excelência e para tal carecia de aprovação governamental ( governo de Santana Lopes). Tal aprovação teria que passar por cima da protecção do sobreiro, conferida por lei tão rígida que qualquer pessoa que pretenda podar uma única árvores tem de comunicar tal facto ao ministério da Agricultura. Como resolver tal impasse quando ainda não se tinha inventado a noção de PIN, uma inovação fantástica do governo que se seguiria e que elimina automaticamente todas as contrariedades arreliadoras das leis ordinárias que impedem o "pogresso"? Ora, só com papas e bolos, como diria o outro. E vai daí, até um Jacinto Capelo Rego se tornou contribuinte líquido do CDS. E vêm daí as suspeitas...
Que não se confirmaram em julgamento.
Pelos vistos, o MºPº propôs-se provar em tribunal que o despacho daqueles três governantes, preparado por alguns técnicos que desgraçadamente foram acusados e estão em julgamento ( mas não os governantes), é a prova fumegante do crime. O raciocínio seria este: área protegida-proibição de urbanização-converseta de almoços, com promessas de contribuições tipo jacinto-arranjos extra-legais-retorsão da lei vigente-aprovação de lei pelo governo e parlamento e promulgação pelo PR-crime consumado.
Deve dizer-se o seguinte sobre isto: as escutas podem dizer isto e mais alguma coisa, como efectivamente dizem. Mas fazer disto um caso criminal com probabilidade de sucesso é crer no pai Natal. E o pai Natal é em Dezembro, mesmo que o Natal seja sempre que uma pessoa quiser.
A investigação criminal em Portugal, com estes casos, só se desprestigia, porque para apanhar este tipo de salafrários dos bens públicos só há uma maneira, como os americanos bem sabem: provas em tempo real. Escutas a correr em tempo real, depois de poder haver denúncias de prática de crime. E mesmo assim, com todos os entraves que estão à vista no caso Face Oculta, em que um crime que estava em curso só foi travado porque houve violação de segredo de Justiça, com origem nas mais altas esferas.
Essa é que é essa.

3 comentários:

Carlos disse...

Depois de o saque pós-Abril, ter posto a descoberto o topo da hierarquia da nossa governança, de que estavam à espera?

Agora, só acredito, de facto, em roturas dolorosas com este sistema. Doa a quem doer!

Esta democracia é um embuste. E por isso, sbscrevo na íntegra, as palavras de D. José Policarpo "os politicos não saem da política com as mão limpas"

Mas, o maior responsável, é o povo - ACORDAI!

ZéBonéOaparvalhado disse...

Mama eu quero...mama, eu quero mamar...dá-me chupeta humm...dá-me a chupeta humm...que o Zé quer mamar.

lusitânea disse...

Espero que não tenham incomodado o filantropo Jacinto Leite Capelo Rego...

O verdadeiro super-juiz