domingo, 30 de outubro de 2011

"os offshores... é...uma vergonha"


Perante os factos veiculados pelos media relativos ao homicídio de Rosalina Ribeiro, será quase impossível a Duarte Lima demonstrar ou mesmo permitir uma dúvida razoável no sentido de que nada teve a ver com esse homicídio. E é tudo o que se poderá dizer sobre o assunto.

Porém, os media aproveitaram a ocasião e mais uma vez refizeram a biografia atribulada de Duarte Lima. Vasco Pulido Valente, no Sábado, até escreveu sobre "um caso triste", para realçar a fatalidade de sendo do pó, dever regressar ao pó da miséria, pelo menos moral. Há uma frase que destoa nessa crónica: " Não é líquido por que razão o elegeram e não é líquido por que razão eventualmente correram com ele."
Acho que não "correram com ele" ( ele é que terá corrido para os negócios que o desgraçaram) e a razão para o elegerem é muito simples: foi um deputado brilhante, na oratória. Muito melhor do que Vasco Pulido Valente jamais será, mesmo na escrita. E para um "indivíduo que nasceu no fim do mundo ( em Bragança) numa família muito pobre de nove filhos e que às vezes teve fome ou muito perto disso", basta como biografia. O resto é que conta- e muito.

O resto é por exemplo este caso singular que o Expresso retrata. Um caso que provavelmente não envolve ilegalidades flagrantes ( tirando os negócios com o BPN, que também vem ao caso) ou aspectos particularmente indecorosos, politicamente. Mas, no entanto, é um caso que carecia de discrição. Até agora.
O modo como o Expresso relata o facto da aquisição de um terreno na Quinta do Lago e a construção de uma casa no valor de vários milhões de euros é exemplar do modo como algumas pessoas adquirem coisas, por exemplo casas. E como escondem a propriedade por este ou aquele motivo.
A casa de Duarte Lima que afinal nem é dele mas de uma offshore, embora ele seja o único inquilino responsável pela mesma e o único conhecido das pessoas comuns que lá trabalham na zona, poderia ser o exemplo do modo como a investigação do enriquecimento ilícito, melhor dito, da corrupção, poderia fazer-se em Portugal.
Casos como a casa da Quinta do Lago de Duarte Lima devem existir às dúzias, entre alguns indivíduos que enriqueceram de modo suspeito. Indivíduos ligados à política, alvo até de inquéritos ou suspeitas que nunca se materializaram em acusações, mas que não há grandes dúvidas sobre o modo como adquiriram as coisas. Casos nítidos de quem cabritos vende e cabras não tem. Casos de indivíduos que sairam da política, sem subsídio de reintegração, não tinham rendimentos acumulados que fossem conhecidos, ganhavam apenas da política e de repente fazem vida de ricos e com rendimentos superiores ao salário que tinham antes. Parece que ninguém se importa com isso...apesar desses indivíduos acalentarem esperanças de regressar à política para voltar a fazer o mesmo, se calhar.
Duarte Lima, ao menos, tinha uma cabrinha que se chamava herança Feteira e que se revelou fatal para a sua reputação já abalada anteriormente em casos duvidosos.

2 comentários:

zazie disse...

Pois "é uma vergonha" mas são muito deles.

De demasiados com as barbas de molho.

hajapachorra disse...

O 'Vasco', e a 'Mena Mónica', quando falam dos 'pobres' são tão obscenos como quando o Louçá fala dos 'rrricos'. Gentinha que vive fora do mundo, ainda que se safe a tagarelar sobre ele.