quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

As dúvidas de Krugman

Como se vai observando, vendo e lendo, as previsões sobre matérias de Economia, são tão fiáveis como as metereológicas a médio prazo. E as metereológicas, dependem certamente de menos factores aleatórios do que as económicas.
Ainda assim, há poucas maneiras de encarar o papel do Estado e dos governos, na Economia: em sistema capitalista, há os que defendem uma maior intervenção do Estado, com grandes investimentos e despesas públicas e os que restringem ao máximo essa forma de intervenção. É essa a separação entre os adeptos de Keynes, um economista muito citado nos tempos que correm e os adeptos de um liberalismo mais amplo, que foi moda na década que passou.
A Esquerda, em Portugal, a tal moderna e popular que segrega anticorpos contra os parentes mais chegados, por vergonha da figura que fazem, aposta fortemente no keynesianismo. Principalmente agora que os factos parecem dar-lhe razão, ao mostrarem a falência do modelo neo-liberal, defendido e abandonado a uma sorte madrasta, no torvelhinho de falências em catadupa e vigarices de todo o tamanho, dos seus principais actores financeiros.
Ainda assim, a receita que defende uma maior intervenção do Estado, não está provado que funcione. Pode até ser mais uma das soluções que paradoxalmente, conduzam ao prolongamento do desastre.
O certo, vendo bem as coisas, é que ninguém parece saber exactamente o que fazer e não há líderes que saibam o suficiente para se poder confiar cegamente no que prometem e dizem. Então, por cá, com este PM que temos e nos saiu em malfadada rifa, é uma desgraça acrescida. Como se viu na entrevista, é um crente fervoroso do keynesianismo, mesmo que pouco ou nada perceba do assunto. Basta-lhe a antevisão do Estado a gastar e o poder de mandar gastar o dinheiro dos outros.
Ainda agora, Paul Krugman, o Nobel da Economia deste ano, um crítico do neo-liberalismo, vem apoiar essa ideia de colocar o Estado a gastar o que os privados não gastam. Embore fale em "fiscal stimulus", uma expressão de algum modo equívoca para alguns, daquele modo, parece dar razão ao PM que temos e que agora apoia vivamente, a receita que lhe foi passada pela Esquerda moderna e popular. Vamos ver se resulta.[texto corrigido e acrescentado a seguir] .
Ainda assim, já há quem discorde e apresente razões, aplicáveis a Portugal. Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo, escreve:
"Na actual crise económica, a adopção de medidas keynesianas para a economia portuguesa, como o programa de investimentos públicos que tem sido anunciado pelo Governo, dificilmente teria a aprovação de Keynes. Não apenas porque, tratando-se de uma economia muito aberta, uma boa parte do estímulo vai para o estrangeiro. Mas sobretudo, porque não existe espaço para despesa pública adicional. O Estado português já está altamente endividado - a dívida pública portuguesa pesa cerca de 70% no PIB, exigindo taxas de juro crescentes para a financiar."
Quem terá razão? Os economistas não são todos iguais? As teorias não são as mesmas?
O também cronista do NYT, aqui citado, diz o seguinte:
From ClusterStock.com, Jan. 5, 2008:

The NYT's Paul Krugman draws three lessons from the current debacle:
70 years of conventional wisdom since the Great Depression has been wrong: The Fed can't head off depressions with easy money. Thus, GD1 may have been un-preventable. GD2 may be unpreventable.
The only way to avoid GD2 (now) is frantic government spending (fiscal stimulus).
The government is about to blow it. Republican posturing suggests Obama will be forced to cut back and/or delay his spending plans in the name of "prudence" and "conservatism."
We'd add another possible lesson: There is NO WAY to prevent depressions other than regulating the economy enough to limit booms like the one we've had over the past couple of decades. This is A LOT easier said than done, because, for obvious reasons, everyone loves booms.
Krugman: "If we don't act swiftly and boldly," declared President-elect Barack Obama in his latest weekly address, “we could see a much deeper economic downturn that could lead to double-digit unemployment.” If you ask me, he was understating the case.
The fact is that recent economic numbers have been terrifying, not just in the United States but around the world. Manufacturing, in particular, is plunging everywhere. Banks aren't lending; businesses and consumers aren’t spending. Let's not mince words: This looks an awful lot like the beginning of a second Great Depression.
So will we "act swiftly and boldly" enough to stop that from happening? We'll soon find out.
We weren't supposed to find ourselves in this situation. For many years most economists believed that preventing another Great Depression would be easy. In 2003, Robert Lucas of the University of Chicago, in his presidential address to the American Economic Association, declared that the "central problem of depression-prevention has been solved, for all practical purposes, and has in fact been solved for many decades."
Milton Friedman, in particular, persuaded many economists that the Federal Reserve could have stopped the Depression in its tracks simply by providing banks with more liquidity, which would have prevented a sharp fall in the money supply. Ben Bernanke, the Federal Reserve chairman, famously apologized to Friedman on his institution’s behalf: "You’re right. We did it. We’re very sorry. But thanks to you, we won’t do it again."
It turns out, however, that preventing depressions isn't that easy after all...
Click
here for the full NYT story.

Depois disto, resta dizer que se estas soluções, em Economia, apresentam resultados mais do que duvidoso, o que não será noutras áreas das chamadas Ciências Humanas. Por exemplo a Sociologia e a Criminologia, em que aparecem, por cá, almas iluminadas a perorar sempre em favor de soluções de laxismo social e de autêntico neo-liberalismo de costumes.
Esses seres iluminados, escrevem artigos de jornal, ao Domingo, no Correio da Manhã. E nunca se interrogam acerca dos seus dogmas, mesmo vendo a realidade feia, a entrar-lhes portas adentro.
São os autistas da sociologia de pacotilha, travestida em ciência exacta. Nunca têm dúvidas e os enganos ficam por conta de outros.

2 comentários:

Horácio disse...

"Esses e essas iluminados, que aescrevem artigos de jornal ao Domingo no Correio da Manhã, nunca se interrogam acerca dos seus dogmas, mesmo vendo a realidade feia a entrar-lhes portas adentro.
São os autistas da sociologia de pacotilha, travestida em ciência exacta. Nunca têm dúvidas e os enganos ficam por conta de outros."
Nem mais!

josé disse...

Pois, mas só agora dei conta de que o português não é famoso. Vou dar-lhe um toque.