sexta-feira, 30 de março de 2012

O fantasma da ópera-bufa

VPV hoje no Público escreve sobre o "fantasma" de Paris. No final redunda o escrito com estas frases:

"A questão é a de explicar como ele conseguiu submeter à sua vontade um PS aprovador e dócil e, quase sem protesto, levar atrás de si ( ou persuadir ao silêncio) uma considerável quantidade de pessoas com idade para ter juízo."

A questão não tem nada de especial na resposta simples e de senso comum. O modo como alguém com poder, vontade de o exercer e capacidade de o fazer sem escrúpulos detectados democraticamente, conserva esse poder, assenta essencialmente em factores que Maquiavel enunciou: conceder e favorecer vantagens aos apaniguados e manter o temor reverencial sem suscitar ódios exagerados.
José Sócrates explorou como poucos essas facetas do cinismo político. Os tais que tinham idade para ter juízo foram adulados e concedeu-lhes privilégios com que nunca sonharam. O dinheiro não era dele, era de todos nós e por isso mesmo gastou-se à tripa forra em pareceres, ajudas várias, benesses, regalias, nomeações, sinecuras.
Ao mesmo tempo, os beneficiários já sabiam: a mama durava enquanto a sabujice perdurasse.
Foi assim com Freitas do Amaral, por exemplo, mas os exemplos são às dúzias.
É incrível ler entrevistas dessa gente na altura em que beneficiavam das prebendas do poder.

8 comentários:

Anónimo disse...

Tudo gente boa: "Depois de ter sido ouvida no julgamento [8 de Março], na segunda-feira seguinte apresentei--me ao serviço, mas o presidente disse-me que tinha de ir para casa", revelou Mónica Mendes, antiga funcionária do arguido Manuel Pedro. Este facto levou o colectivo de juízes a perguntar qual era a "cor política" da junta onde trabalhava. "PS", respondeu a testemunha, referindo um "clima de tensão" que já tinha sentido quando foi ouvida durante a investigação. Mónica Mendes contou que a sua casa foi assaltada para lhe roubarem disquetes e que viu o tubo da gasolina do seu carro ser cortado, situações que a levaram a hesitar nos depoimentos prestados à Polícia Judiciária, razões com que justifica as discrepância entre as inquirições."

Em Angola o sistema ainda é mais descarado, mas se o país lhes der mais uma oportunidade, havemos de lá chegar.

Floribundus disse...

a estória voltará a repetir-se
se esses beneficiários não forem julgados e obrigados a devolverem o dinheiro recebido

rita disse...

Tb acho! Enquanto não forem para a cadeia, aqueles que têm de ir, tudo se repetirá...

Wegie disse...

Sem menosprezar o passado que dizer de Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, era director de Project Finance na caixa BI e foi lá, durante o poder socialista, que desenhou, geriu ou co-financiou todas, mas todas as PPP, que são uma "ruína financeira" para a Estradas de Portugal, hoje tuteladas por ele próprio. São 5,5 mil milhões de euros. Nem de propósito, foi Sérgio Monteiro que o Governo de Relvas foi buscar para ajudante do Álvaro para renegociar as PPP e acabar com o TGV do qual ele próprio tinha sido administrador... Também foi o mesmo secretário de Estado, com argumentos técnicos pouco compreensíveis e sem uma gota de política nos neurónios, que mandou pagar a verba das portagens à Lusoponte, que já tinha sido recebida pelas portagens de Agosto.

josé disse...

No outro dia estive a ver e ouvir atentamente esse indivíduo no programa de José Gomes Ferreira e gostei do que ouvi.

Até fiquei desconfiado porque me pareceu galinha gorda por pouco dinheiro.

O tal Sérgio fala agora como um patriota e remete todas as asneiras para o Paulo Campos...

Wegie disse...

Ainda não percebeste que a cleptocracia não mudou?

Rui disse...

Gostava de chamar à atenção que quando uma pessoa trabalha para uma empresa tem de defender os interesses dessa empresa e não da coisa pública. Isto é um facto algo difícil de compreender por que é funcionário público mas a verdade é que é assim que funciona o mundo privado.

Neo disse...

Caro Rui,acho que isso todos percebemos.
E acho que nesta fase também toda a gente percebe porque é que os negociadores que representavam o Estado não defenderam o interesse público.